Por Dr. Daniel Daher

O ano de 2018 é marcado pela Copa do Mundo. O acontecimento é um dos maiores eventos esportivos do mundo e como o futebol é uma atividade de alto rendimento, praticada aqui no Brasil com muita frequência, fica a pergunta: Quais são os benefícios do esporte para a saúde do coração? De uma maneira geral, como a prática esportiva auxilia no bom funcionamento cardiovascular?

Começamos a entender após perceber a diferença entre o indivíduo sedentário e o ativo. Existem muitos estudos científicos mostrando que o sedentarismo é um grande fator de risco para doenças em geral, incluindo doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, doenças metabólicas, como diabetes e obesidade, além de aumentar o risco de desenvolver alguns tipos de câncer. Entretanto, quando essa pessoa pratica regularmente atividade física, vai em direção oposta, melhorando e diminuindo esses riscos.

Um corpo com bom condicionamento físico tem uma maior capacidade de adaptação. O organismo fica com reservas, trabalha com mais folga. Um exemplo clássico disso é o colesterol alto ou diabetes. Para desenvolver essas doenças, é preciso ter um fundo genético e tudo é piorado com a má alimentação, hábito muito comum do sedentário. Quando há a prática de exercícios e esporte, há também a melhora do metabolismo e do processo inflamatório causado por essas doenças.

Mas falando especificamente do coração, os benefícios do exercício são bem conhecidos. A atividade física condiciona o músculo cardíaco a trabalhar em situações de maior intensidade. Fora do exercício, em situações do dia a dia, ele trabalha com muito mais tranquilidade. Além disso, ajuda a prevenir problemas como a elevação da pressão arterial, alterações do ritmo do coração, disfunções relacionadas ao colesterol, triglicérides, diabetes, ácido úrico, etc. E ainda há um ponto que está também relacionado diretamente com a parte cardíaca, que é a melhora da ansiedade e do estresse.

O pós-exercício também proporciona vantagens à saúde cardíaca. Basta uma hora de atividade para que a pressão arterial fique mais baixa pelo menos pelas próximas 12 horas.

Agora, seja uma atleta profissional ou apenas um esportista amador, em todos os casos, é preciso buscar por acompanhamento médico para avaliar a situação cardiovascular. Essa análise é individualizada e deve ser feita de acordo com o estilo de vida de cada paciente. O atleta federado tem a obrigação de estar em dia com testes e exames. Ele vive sob estresse intenso das competições, trabalha invariavelmente em alta intensidade durante um longo período de tempo com pressão por resultados. Eles vão além dos limites, isso é a vida dele, é o seu trabalho.

O esportista não profissional não precisa seguir com tanto rigor esse processo. Se ele fizer atividade moderada, deve fazer o seu check-up anual. No entanto, esportistas que se comportam como profissionais devem tomar mais cuidado, porque, mesmo não vivendo disso, esses indivíduos estão no mesmo nível de estresse do profissional verdadeiro. Lembremos que o exercício é uma excelente ferramenta de promoção da saúde, quando bem utilizada. Ele é seguro e raramente é contraindicado. Nosso grande inimigo é o sedentarismo!

CRM: 64.580

Graduação: Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (EMESCAM)

● Especialista em cardiologia pela S.B.C / A.M.B
● Especialista em Medicina do Esporte S.B.M.E / A.M.B
● Habilitação em Ergometria pelo DERC / S.B.C / A.M.B
● Fellow da Sociedade Européia de Cardiologia de São Paulo