Após fazer atividade física ou ter um momento empolgante, é normal que fiquemos um pouco ofegantes e até cansados. Mas, e quando essa sensação passa a acontecer com frequência acima do normal e em momentos de baixo ou quase nenhum esforço? É importante ficar de olho, pode ser insuficiência cardíaca.

A doença é uma miocardiopatia caracterizada pelo inchaço dos músculos do coração. Se não tratada, a insuficiência cardíaca vai deformando o órgão cada vez mais. Ele vai mudando de forma, hipertrofiando e a partir do momento em que essa alteração estrutural se consolida, não é mais possível reverter, apenas com transplante de coração.

Ela pode ser dividida em insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada e com fração de ejeção reduzida. A fração de ejeção é a força de contração do batimento cardíaco e pode ser visualizada no ecocardiograma.

A New York Heart Association, associação americana de cardiologia, classifica o problema em 4 tipos. São eles:

Classificação 1 – O paciente tem insuficiência cardíaca, mas não tem nenhum sintoma clínico. Ele tem uma vida normal, consegue fazer um pouco de atividade física sem sentir cansaço e não tem dificuldade de realizar ações da sua rotina como arrumar a casa, brincar com os filhos, mexer na lavoura, pintar paredes.

Classificação 2 – O paciente tem a doença e também consegue realizar suas atividades, mas sente um pouco de cansaço ao realizar um esforço físico maior.

Classificação 3 – É aquele que, para fazer atividades de rotina como tomar banho e arrumar a cama, se sente cansado e ofegante.

Classificação 4 – É o nível da doença mais limitante, em que o paciente se sente cansado mesmo deitado.

A insuficiência cardíaca nunca vem sozinha!

Há muitos fatores que podem levar ao quadro de insuficiência cardíaca, incluindo outras doenças, inclusive as relacionadas ao coração. A hipertensão não tratada é um exemplo e acontece com aqueles pacientes gravíssimos que, por não perceberem os sintomas da pressão alta, não fazem seu tratamento durante anos. Pode haver também a insuficiência cardíaca devido à diabetes, à miocardiopatia isquêmica, problema representado pelo entupimento das artérias coronárias, pela dislipidemia, que é a doença do colesterol alto, e até pela Doença de Chagas.

Outros momentos, como após uma gripe vital forte e no período pós-parto, podem desencadear a patologia, mas esses casos são menos comuns e a chance de o paciente possuir uma predisposição genética para desenvolvê-los é grande.

Agora, um alerta deve ser feito em relação ao consumo de etílicos e substâncias ilícitas. A ingestão exagerada de bebidas alcoólicas, o tabagismo e uso de drogas como a cocaína podem causar espasmos nas artérias coronárias e provocar arritmias gravíssimas, ocasionando infartos de pessoas muito jovens, às vezes, com menos de 20 anos.

No entanto, se o diagnóstico for feito a tempo e o paciente for orientado  adequadamente, é possível ter uma vida normal. Para isso, os tratamentos das doenças já citadas como hipertensão, dislipidemia, isquemia e também diabetes são essenciais para a melhora do quadro e prevenção do problema.

O medicamento que trata a pressão alta inibe o sistema renina angiotensina aldosterona, localizado nos rins. A hipertensão faz com que esse sistema cause uma alteração hormonal no organismo e, consequentemente, uma vasoconstrição das artérias, resultando na piora da insuficiência. O remédio controla essa mudança maléfica. Já o tratamento do entupimento coronariano previne o infarto e garante que o músculo do coração receba sempre oxigênio da melhor forma possível.

Depois de medicação, quem está na classificação 3 pode ir para a fase 2 ou ter a fração de ejeção preservada acima dos 50%. Por isso, é vital que a insuficiência não evolua para a miocardiopatia fase 4, porque, nesse caso, a fração de ejeção está muito rebaixada e a única solução é o transplante.

Bons hábitos para a prevenção

O que mais preconizamos em pacientes hipertensos, diabéticos ou com dislipidemia é estimular a atividade física. Mesmo que não seja na academia, mas uma caminhada simples já é suficiente. O paciente na fase 1 da insuficiência cardíaca pode realizar exercícios moderados, como trotar em uma corrida, mas deve se sentir confortável para fazer isso.

Quem já é sabidamente cardíaco e tem alteração na fração de ejeção não pode chegar à exaustão e nem realizar atividades muito competitivas. A liberação de adrenalina é negativa para o paciente cardíaco.

Sobre a alimentação, as refeições devem contar com pouco sal e estarem livres de frituras e gorduras. Esse tipo de comida facilita o aumento exagerado de peso e a obesidade piora muito o quadro de miocardiopatia, porque um paciente assim tem muita dificuldade de até levantar da cama, então, há dificuldade de classificar e diagnosticar o tipo de insuficiência cardíaca que ele possui. O correto é que o paciente mantenha seu peso ideal sempre.

CRM: 59.976

● Graduação: Faculdade de Medicina de Marília
● Residência médica em cardiologia: Hospital Beneficência Portuguesa
● Residência médica em cardiologia: Instituto de Nefrologia e Cardiologia de Marília – SP